OBJETIVO DA PÁGINA

Esta página tem como objetivo apresentar os elementos e a disposição do espaço celebrativo na liturgia, explicando sua função teológica, pastoral e simbólica. Busca também formar agentes e fiéis para a valorização do espaço sagrado, favorecendo uma participação mais consciente e ativa na celebração dos mistérios de Cristo.


"O espaço sagrado não é apenas um lugar de reunião, mas uma imagem visível da Igreja, Corpo Místico de Cristo, edificada com pedras vivas."


IGMR, n. 288   

          Na liturgia, o espaço não é neutro. Ele exprime o mistério que celebramos, orienta os sentidos dos fiéis, favorece a comunhão e reflete a natureza eclesial do culto. O espaço celebrativo de uma comunidade é na realidade, um conjunto de diferentes espaços que formam o ambiente litúrgico total. Quando se fala dos espaços onde a Liturgia é celebrada, se refere ao lugar e tudo o que esse lugar contém: arte, arquitetura e todos os demais objetos e elementos que se encontram ao redor. Em outras palavras, falamos do ambiente. Na Liturgia, a arte tem um lugar privilegiado, por sua capacidade de abrir o significado da palavra mais amplamente à compreensão. A arte ilustra a palavra, enquanto a palavra revela e explica a imagem. O Catecismo da Igreja Católica, afirma: "A iconografia cristã transcreve pela imagem a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra iluminam-se mutuamente” (CIC 1160).


         Preparar o espaço celebrativo é uma decisão muito importante para a comunidade. Implica antecipar o mundo novo: mundo da beleza, fraternidade e liberdade, comunhão e graça, recolhimento e silêncio. Sendo a simplicidade o caminho mais curto e fácil para tingir o belo e o sublime, expressando dessa forma, a verdade a verdade anunciada.


       O espaço da igreja é um símbolo de Deus que habita entre os homens, é o anuncio da Jerusalém celeste. Por isso o espaço deve expressar na sua forma, nas suas cores, luzes e sombras, nas texturas, nos materiais, na localização, das peças, essa função simbólica e mística. A beleza e a unidade do lugar devem alimentar a piedade dos fiéis e manifestar a santidade dos mistérios nele celebrados.



         A arquitetura e os elementos litúrgicos devem facilitar a participação plena, ativa e frutuosa do povo de Deus (cf. Sacrosanctum Concilium, 14), colocando Cristo no centro da ação litúrgica.



          O espaço celebrativo é um todo que exerce uma influência maior do que se crê sobre o comportamento humano. Criado e definido pelo homem, acaba por envolvê-lo e condicioná-lo com suas próprias características. A celebração não pode subtrair-se desta realidade. A fé religiosa de uma comunidade, o nível de participação de uma assembléia estão de alguma maneira, influenciados pelo marco no qual se desenrola a celebração. 


         O espaço celebrativo de uma comunidade é na realidade, um conjunto de diferentes espaços que formam o ambiente litúrgico total. Quando se fala dos espaços onde a Liturgia é celebrada, se refere ao lugar e tudo o que esse lugar contém: arte, arquitetura e todos os demais objetos e elementos que se encontram ao redor. Em outras palavras, falamos do ambiente. Na Liturgia, a arte tem um lugar privilegiado, por sua capacidade de abrir o significado da palavra mais amplamente à compreensão. A arte ilustra a palavra, enquanto a palavra revela e explica a imagem. O Catecismo da Igreja Católica, afirma: "A iconografia cristã transcreve pela imagem a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra iluminam-se mutuamente” (CIC 1160).



Espaço Celebrativo

POLOS DO ESPAÇO CELEBRATIVO

OUTROS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO ESPAÇO CELEBRATIVO

CRUZ PROCESSIONAL


         A cruz processional, como o próprio nome diz, é uma cruz com a imagem do crucificado que possui uma haste e é conduzida nas procissões por um acólito ou coroinha denominado cruciferário.

 

         O Missal Romano orienta sobre o uso da cruz processional em vez de grandes crucifixos pendurados nas paredes, para simbolizar que a cruz acompanha o cristão em sua caminhada, mas a meta é a ressurreição, a glória, a vida.


        A cruz processional deve apresentar a imagem do crucificado; ser pequena (30 a 50 cm), feita de material e forma que estejam em harmonia com as demais peças do presbitério. Após carregada em procissão como sinal do Cristo morto e ressuscitado, ela permanece junto ao altar. 


CREDÊNCIA OU MESA AUXILIAR


          É uma espécie de pequena mesa colocada discretamente no presbitério para apoiar os objetos necessários para a celebração: o cálice, a patena, as galhetas, os livros ou o que mais for necessário, dependendo da celebração.


         Não deve sobressair com rendas ou outros ornamentos. É bom que sua altura seja inferior à do altar. A credência pode ser colocada encostada na parede lateral do presbitério. A credência pode ser fixa ou móvel. 


         Na entrada da igreja, podem ser previstas uma ou mais credências para as ofertas ou folhetos. O material usado deve ser simples e nobre e estar em harmonia com as demais peças do presbitério.



ÁTRIO


          O Átrio é o lugar que dá entrada à igreja. Ele separa o exterior do interior. Este local tem a função de preparar a entrada e marcar a passagem de uma realidade para outra. Pode haver aí uma pia de água benta para que se faça o sinal-da-cruz em preparação ao Mistério de que se vai participar. É preciso que a porta principal de entrada receba um tratamento diferenciado das demais, pois representa Cristo (a Porta). Ela deve ser maior, com puxadores mais nobres, podendo ter algum símbolo.


CARACTERÍTICAS GERAIS DO ESPAÇO LITÚRGICO

         O espaço celebrativo, ou espaço litúrgico, não é apenas um ambiente físico. Ele é estrutura simbólica e teológica que expressa e realiza o Mistério de Cristo. Sua organização e seus elementos devem favorecer a participação plena, ativa e consciente dos fiéis (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 14), revelando a comunhão da assembleia reunida para celebrar os sacramentos e a Palavra.


Beleza, sobriedade e funcionalidade


  “Os edifícios destinados ao culto divino devem ser adequados para a celebração das ações litúrgicas, propiciando a participação dos fiéis.” (IGMR  n. 288). A Igreja recomenda que o espaço seja belo e digno, mas sem ostentação. A sobriedade não exclui a arte, mas orienta para que tudo remeta ao mistério celebrado, e não à estética por si só. A funcionalidade garante fluidez nos ritos e visibilidade para todos.


Clareza simbólica

          “A disposição do presbitério deve expressar de modo claro a sua função, a saber, ser o lugar de presidência e do altar do sacrifício.” (IGMR  n. 295)

          A clareza simbólica exige que:

  • O altar esteja em local central e destacado, visível por toda a assembleia.
  • O ambão seja digno e distinto, sinal da mesa da Palavra de Deus.
  • A sede do presidente (cátedra) expresse a função de guiar e presidir em nome de Cristo.
  • O sacrário, quando no espaço da igreja, esteja em local nobre e propício à adoração (IGMR, nn. 314–315).


          Essa disposição transmite que a ação litúrgica é de toda a Igreja, mas ordenada em ministérios e serviços.


Iluminação e acústica que favoreçam a celebração


  “É conveniente que haja uma iluminação que favoreça o recolhimento e que ao mesmo tempo facilite a leitura e os movimentos litúrgicos.” (Cerimonial dos Bispos, n. 30). A iluminação deve valorizar o altar e o ambão, criando um ambiente de fé, e não um palco teatral. A acústica precisa permitir a escuta nítida da Palavra, do canto e da oração. Um espaço celebrativo bem projetado integra luz, som e silêncio ao ritmo litúrgico.


Acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida

 

  “O edifício do culto deve facilitar o acesso de todos os fiéis, inclusive aqueles com deficiência.”  (Redemptionis Sacramentum, n. 98; SC, n. 120). A participação plena inclui a inclusão física e simbólica: rampas, cadeiras acessíveis, espaço reservado para pessoas com deficiência e possibilidade de ministérios litúrgicos adaptados. A arquitetura deve expressar comunhão, não separação.


Ausência de excessos decorativos ou obstáculos visuais


  “A ornamentação do altar deve ser feita com moderação, evitando excessos que desviem o foco da celebração.”  (IGMR, n. 305). A ornamentação deve ser simbólica e liturgicamente apropriada, evitando a sobreposição de imagens, objetos, vasos e tecidos que confundam os sentidos ou dificultem a contemplação do mistério. A liturgia pede ordem, simplicidade e significado.


          Os cartazes e avisos fazem parte da vida e da dinâmica da comunidade e devem ter um lugar determinado e adequado para sua exposição. A comunidade deve evitar a disposição de letreiros, avisos, cartazes, mensagens edificantes ou de congratulações e mesmo citações da Escritura, espalhados pela igreja, pela nave ou no presbitério, pois desviam a atenção dos fiéis da liturgia e prejudicam seu desenvolvimento. O melhor local para concentrar avisos e cartazes é no átrio. É aí que as pessoas podem parar para ler os avisos, quando entram ou quando saem, sem atrapalhar o andamento da celebração. 


Os caminhos mais fáceis para atingir o belo e o sublime são a simplicidade e o despojamento. Ambientes com muita decoração tendem a esvaziar a própria celebração, acarretando uma indesejada dispersão visual. A ornamentação é parte integrante do espaço litúrgico e deve estar incluída no projeto arquitetônico, sempre lembrando que é preciso cuidado no uso de folhagens e flores. Os arranjos devem  ser discretos. É recomendável o emprego de plantas e flores naturais no local de celebração, pois o local onde a Verdade é anunciada e experimentada supõe uma decoração com materiais autênticos.


Organização coerente com os ministérios litúrgicos


  “A disposição dos lugares dentro da igreja deve manifestar a estrutura da assembleia: ministros ordenados, ministros leigos e fiéis.”  (IGMR, n. 294). Os ministros devem ter seus lugares próprios e bem definidos, para que a celebração ocorra de maneira orgânica. A disposição da assembleia deve favorecer a comunhão visual, auditiva e espiritual com o altar, o ambão e a sede.


  • BIBLIOGRAFIA

    • Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil. Guia Litúrgico-Pastoral. Brasília: Ed. CNBB 1ª Edição.
    • CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário. Brasília: Edições CNBB, 2023.
    • CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Cerimonial dos bispos.
    • Conselho Episcopal Latino-americano. Manual de Liturgia II –– CELAM – PAULUS
    • Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil. Guia Litúrgico-Pastoral – CNBB – Ed. CNBB 1ª Edição.
    • Machado, Regina Célia de Albuquerque. O Espaço da Celebração: mesa, ambão e outras peças, 5. Ed. São Paulo: Paulinas, 2008.
    • Núcleo de Catequese Paulinas & Cáudio Pastro. Iniciação à Liturgia. São Paulo: Paulinas, 2012 (Coleção Pastoral Liturgica)

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